Mais definições de Arte Terapia:
Âmbito da Arte-Terapia do ponto de vista da SPAT (Sociedade Portuguesa de Arte Terapia)
Fundamentos teóricos e técnicos
De um ponto de vista lato poder-se-á falar de Artes-Terapias, sendo estas intervenções psicoterapeuticas que recorrem aos mediadores: Pintura, Desenho, Modelagem, Escultura, Colagens, Drama e Jogos Dramáticos, Marionetas, Jogo de Areia, Expressão Corporal, Música, Canto, Poesia, Escrita Livre Criativa e Contos.
O entendimento do fenómeno psicológico em Arte-Terapia deverá ter em conta as perspectivas afectiva-relacional, existencial e cognitiva.
A expressão artística é central nesta psicoterapia. Através do objecto de criação temos acesso a informação e registo sobre o que é, acerca de quê e para quê, como e porquê, sentimentos no momento e após, benefícios para o próprio e para os outros, etc. Assim o objecto de arte tem uma função cognitiva, fornecendo ao sujeito informações sobre si próprio e ao Arte-Terapeuta um registo do processo.
No entanto o objecto de arte não interessa tanto pelo seu valor informativo, ou mesmo estético, mas sim pelo seu valor como mediador da expressão, como veículo de elaboração e como ensaio do processo criativo. O contexto do processo Arte-terapeutico não é usado para análise. O foco desta situar-se-á na relação terapêutica.<...>
Na Arte-Terapia o papel do processo criativo na mudança é central, pretende-se fomentar nos clientes o uso da criatividade, como meio de entendimento do próprio e dos outros e na resolução da problemática existencial.
A função do imaginário é fundamental em Arte-Terapia:
a) Para aceder a pensamentos, sentimentos, memórias, aspectos da personalidade e do self, alguns dos quais sem representação mental consciente e carecendo se serem integrados;
b) Para uma mais intensa e profunda compreensão do sentimento ou situação;
c) Para desenvolver a capacidade de ver e agir através de opções criativas, evitando o recurso a uma cognição prematura e limitada.
A experiência artística pode intensificar a expressão de vivências, bem como incrementar a consciencialização do sensorial e do equilíbrio estético. No contexto da Arte-Terapia, a facilitação de tal tomada de consciência pode ser importante para promover a riqueza, a vitalidade e a qualidade de vida. A expressão mediada possibilita também a mobilização de pulsões reprimidas, facilitando assim uma vida psicológica mais livre. Imagens de transformação e mudança, representadas nas criações artísticas, dão expressão à função reparadora, no decurso do processo terapêutico.
publicado por S.P.A.T. - Sociedade Portuguesa de Arte Terapia
http://www.arte-terapia.com/
Benefícios da Terapia pela Arte
1 - Melhora a comunicação consigo mesmo e com o outro;
2 - O cliente se independentiza do terapeuta pois é ativo, cria nas sessões;
3 - O tempo do tratamento é menor pois a transferência é reduzida, a atividade diminui o valor desta;
4 - Favorece a busca da harmonia e do equilíbrio da vida;
5 - Facilita o diagnóstico propiciando leitura de material pré e inconsciente através de imagens pictórias, sonoras, táteis e kinestéticas.
6 - Aumenta a espontaneidade e a criatividade positivamente orientadas. A Terapia pela Arte não necessariamente se fixa nos limites clássicos da psicoterapia através da linguagem artística.
Na Fonoaudiologia, Fisioterapia, Psicopedagogia, Psicomotricidade, Terapia Ocupacional a arte também é utilizada sendo aí Terapia pela Arte. Cabe ao psicólogo somente a ele o psicodiagnóstico e a psicoterapia através da arte. Em todas as escolas a arte tem desempenhado papel importante ao criar uma possibilidade existencial inédita que é a da estética no contexto terapêutico.
Perigos de Terapia pela Arte
1 - O cliente gosta tanto do trabalho arteterapêutico que não quer parar, confundindo a Psicoterapia (tratamento) com o prazer da auto-expressão. Melhor terminar o tratamento e encaminhar à aula de arte;
2 - Pode ocorrer fixação na criação estética ao invés de no real. Nossa tarefa é tratar e não transformar nossos clientes em artistas. Esta é a função do arte-educador;
3 - Em prol da estética, confundir noções de saúde. Exemplo: atrizes, manequins, modelos, bailarinos que, em função de modismos, sacrificam seu equilíbrio interior e sua saúde física. Os modelos estéticos costumavam ser os mesmos dos da saúde na Grécia antiga. Atualmente é difícil a manutenção desta relação pois a estética teve diversas modulações;
4 - Estimular o imaginário sem produzir criações consistentes;
5 - Fugir do real em direção à criação estética sem integrar o que ocorre para aprender a viver melhor.Isto destaca a importância do Terapêuta da Arte ser antes de mais nada, um bom Clínico e paralelamente ocorrer o aprendizado do manejo do instrumental da criação e expressão estética (Desenho, Pintura, Modelagem, Música, Canto, Dança, etc).
Publicado por: http://paginas.terra.com.br/educacao/teletrabalho/psi_arte.htm
O arte terapeuta trabalha com o sujeito individualmente, ou com grupos, desenvolvendo práticas, dinâmicas, vivências que valorizam a Arte em todas as suas manifestações: pintura, escultura, música, desenho, teatro, poesia... Ao realizarmos uma atividade artística, não só interferimos na realidade, como também desenvolvemos competências pessoais que aprimoram a performance, o desempenho da pessoa, o que estabelecerá formas de comunicação entre o real e o imaginário, entre o pragmático e o sensível, transformando o ato criativo em expressão produtiva. Dessa forma, as pessoas aprendem a construir espaços de autoria; reconhecem-se como autores e desfrutam o prazer de criar, valorizando a invenção de coisas originais e não a mera repetição estereotipada; acrescentando detalhes específicos, comprovadores de que o criar nos faz humanos e nos leva a sair da lógica dual: melhor ou pior.(2) O sujeito artista/artesão aprende a relativizar; a perceber sua obra com diferentes matizes e cada uma com sua beleza única.As atividades desenvolvidas no processo de arteterapia permitem trabalhar, entre outras, a auto-imagem, a percepção da transformação, a superação de obstáculos, a estimulação da desinibição, que conduzem a uma sensação de integração com o mundo, instigando à resolução de conflitos pessoais. Consequentemente, ocorre um aperfeiçoamento na forma de comunicação do sujeito, consigo mesmo e com os grupos com que interage: família, escola, lazer... incentivando o desenvolvimento harmônico da personalidade; a construção de um ambiente saudável, com espaços de autoria que permitem ressituar-se diante do passado.
Referências Bibliográficas:
Fernández, Alicia. A inteligência aprisionada: abordagem psicopedagógica clínica da criança e sua família. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.
Publicado por: http://www.centrorefeducacional.com.br/maisarte.htm